Criadouro Realengo
Tempos modernos
Home | » Notícias » Tempos modernos
A tecnologia já coloca à disposição dos criadores procedimentos que reconhecidamente, beneficiam com resultados bastante positivos, suas criações.

Diversas são as áreas que se tornam alvos das investidas do homem em busca soluções cada vez mais eficazes aos problemas que assolam o mundo, entre tantas poderíamos citar a medicina, o setor automotivo, que a cada instante nos surpreende com um novo invento ou descoberta.

E para o alívio dos criadores que, há tempos atrás, se viam frustrados meio a tantas dúvidas sobre suas criações, eis que a era da modernidade também se pôs em favor dos pássaros, por meio da técnica de sexagem, que apesar de ser um procedimento bastante recente no mercado dos passariformes, se consolidam como uma grande aliada dos criadores.

Para saber mais sobre esse assunto você acompanha uma entrevista com um representante do laboratório Unigen, localizado em São Paulo, Capital, e que foi o pioneiro na utilização da técnica de sexagem em aves. Confira!

P & C: Como foram os contatos iniciais do Unigen, laboratório de tecnologia em DNA, com os passarinheiros?
AFFN: Numa conversa de pizzaria com amigos, descobri que alguns dos melhores criadores tinham muita dificuldade em encontrar quem fizesse o exame de sexagem de aves pelo DNA. Tinham que mandar amostras para o EUA porque no Brasil não existiam profissionais que fizessem esse procedimento. As professoras de biologia da USP (Universidade de São Paulo), professora e doutora Anita Wantjal e a professora e doutora Cristina Myiaki realizavam esse exame na universidade sem nenhum custo aos passarinheiros, pois as amostras interessavam a elas para o desenvolvimento de pesquisas na área de genética populacional. Sendo assim, iniciamos as pesquisas para adaptação das técnicas às aves brasileiras. Hoje, mais de 450 espécies diferentes já foram comprovadamente "sexadas" em nosso laboratório.

Em 1998 já fazíamos "sexagem" para criadores de psitacídeos, mas foi somente em meados do ano de 2000 que um criador de curió de canto, hoje um dos nossos melhores clientes, o Dr. Ferdinando Meneses de Cornélio Procópio, do Paraná nos procurou para testar a técnica. Ele com uma visão de futuro quis saber se esse exame era bom mesmo. Mandou amostras de aves recém nascidas e recebeu o resultado, no mesmo ninho estavam dois machos. Isso não é comum, disse ele,e como se tratava ainda de uma técnica inovadora, o tempo encarregou-se de confirmar a veracidade do resultado.
Passados cinco anos, hoje podemos observar que a espécie mais "sexada" em nosso laboratório é o curió ( Oryzoborus angolensis ) pássaro que superou no ano de 2004 aquele que era considerado o maior campeão de "sexagens" de todos os tempos, o papagaio verdadeiro ( Amazona aestiva ).

P & C: Qual a importância deste procedimento para vocês e para os passarinheiros?
AFFN: Antes de mais nada é preciso reconhecer aqui o mérito do sucesso desse exame - que considero ser a maior vitória dentro da histórica reivindicação das aves pela sai conservação, frente à extinção na natureza - deve ser dado a dedicados e sérios criadores que acreditaram que a profissionalização da criação era o caminho para a conservação das espécies e também de suas paixões. Estes perceberam então que a "sexagem" de aves era o menor e melhor investimento possível que algum criador bem intencionado deveria fazer. Fica aqui meu reconhecimento a esses respeitados criadores que souberam encontrar nessa sincera parceria um caminho para o bem de muitos.

Lembro-me que o grande Geraldo Magela nos chamou ao seu criatório para fazermos uma gravação em vídeo explicando os procedimentos da "sexagem" e sua definição. Este vídeo foi distribuído para vários amigos passarinheiros. Esforços heróicos como esse acabam ficando esquecidos com o tempo, e isso é natural, mas fará um bem ao mundo quem fizer de vez em quando um exercício de memória. Nesses dias pude ler uma carta que o engajado criador Rogério Fugiura encaminhou ao IBAMA e que falava a respeito do SISPASS. Fiquei surpreso ao constatar a vontade e a dificuldade que os criadores tem de fazer um ótimo trabalho e se manterem fiéis às decisões legais dos órgãos competentes.
E isso não é de hoje, já que o próprio sistema do IBAMA surgiu graças à iniciativa dos próprios criadores.

P & C: Depois da criação do exame de sexagem, o que o Unigen tem de novo para oferecer aos passarinheiros que se dedicam à criação de pássaros no Brasil?
AFFN: O amadurecimento profissional da criação de pássaros e o acolhimento do exame de "sexagem" por quase toda a comunidade criadora permitiu e nos estimulou a dar outros passos rumo à inovação. Realizamos muitas pesquisas de financiamento próprio e de alto nível técnico para disponibilizar exames acessíveis de DNA ou RNA capazes de diagnosticar doenças que acometem as aves e seus criadores. Lançamos o exame para diagnóstico da ornitose, salmone-loses, micoplasmose, doença de Pacheco, doença do bico e pena entre outros. Um programa de monitoramento de micoplasmose e ornitose que usa nossos exames, foi implantado no Zoológico de São Paulo. Desenvolvemos também exames de paternidade/maternidade de aves e também exames de DNA para identificar a consangüinidade das aves e encontrar os melhores casais no plantel. Esses exames possuem diferenciais que permitem ao criador saber exatamente qual o índice de similaridade encontrado entre duas aves testadas. Isso garante que o exame tenha fundamento estatístico e científico que o habilita como uma ferramenta que vale a pena ser usada. Outro produto que acreditamos ser importante, lançado pelo Unigen é o Banco de DNA.

P & C: O que mais você poderia falar sobre o Banco de DNA?
AFFN: Já comentamos em outra edição dessa revista que o curió Realengo (infelizmente falecido no mês passado) de propriedade do Sr. Waldir Pereira da Silva de Goiânia-GO, tem a sua amostra armazenada no banco de DNA do nosso laboratório. Desde então outros criadores puseram as amostras de suas aves em nosso banco de DNA, garantindo assim que quem quiser comprovar o pedigree dessas aves possa fazê-lo. Até mesmo dos falecidos Ralengo e o famoso bicudo Pelé, de propriedade do Dr. Ailton Milward Azevedo de Niterói-RJ (também falecido no mês passado) podemos fazer a comprovação do pedigree. Essas iniciativas têm feito do nosso mercado algo que valha a pena participar. Dá gosto de ver, por exemplo, a estante de DNA que o Sr. Waldir fez.

Nela toda a ave que nasce tem sua amostra armazenada à temperatura ambiente em um meio conservante exclusivamente desenvolvido por nosso laboratório.

P & C: Em quais casos práticos poderiam ser aplicadas todas essas tencologias? AFFN: No ano de 2000, o IBAMA nos solicitou que fosse feita uma averiguação sobre a procedência de uma ave. Era preciso saber se a ave era do plantel de um passarinheiro que tinha sua criação regularizada, ou se era da natureza. O exame de DNA ajudou a comprovar a origem legal da ave e inocentou o criador. Recentemente um curió de muito prestígio, cujo proprietário é do interior do Estado de São Paulo, foi roubado. A polícia, em suas investigações, encontrou uma gaiola com muitas penas caídas de um curió, ligou os fatos e achou por bem que a vítima oferecesse amostras biológicas dos pais da sua ave roubada para que o seus "DNAs" fossem comparados com o DNA das penas encontradas. O resultado do exame que fizemos demonstrou que o DNA da pena encontrada não era da linhagem genética dos pais da ave roubada. Infelizmente o paradeiro da ave ainda é desconhecido, mas qualquer ave suspeita pode ter seu DNA testado para verificar se ela é o curió roubado. Outro exemplo interessante ocorreu com Sr. Waldir, de Goiânia, Goiás. Ele vendeu um de seus curiós e depois quis compra-lo de volta porque percebeu que a linhagem era muito boa. Como fazer para saber, dentre tantas, quem era ela? Bom, por sorte esse curió tinha sido "sexado" conosco e nós ainda tínhamos a amostra de sangue dele. Assim, bastou comparar o DNA da amostra guardada com a amostra do curió que estava sendo negociado para saber se tratava da mesma ave.

Leia a notícia no site de origem